terça-feira, 14 de novembro de 2017

1997: A CADA DEZ ANOS, UMA HISTÓRIA PRA CONTAR.

Desde que o Corinthians voltou a conquistar títulos, em 1977, a cada dez anos uma história marcante acontece na vida do Timão.
Já falamos um pouco sobre o ano de 1987, mas, vamos falar do que aconteceu dez anos depois, em 1997, quando o Corinthians esbanjou dinheiro e bagunça.
O ano começou muito triste para o corintiano. Morria, no dia 08 de fevereiro, em meio ao Carnaval brasileiro, o maior presidente que o Corinthians teve até então: Vicente Matheus.
Nome que, na minha humilde opinião, deveria ser usado na Arena Corinthians.
Corinthians 1997
Imaginem, Estádio Vicente Matheus, o Vicentão. Ou o Matheusão. Ou, simplesmente, Vicente Matheus.
Matheus morreu poucos dias depois de ver, de sua casa, assim como todos os corintianos, o clube assinar uma parceria de patrocínio com o extinto Banco Excel.
O banco em questão despejou rios de dinheiro para contratações, trazendo, inclusive, o maior artilheiro do Brasil naquele momento: Túlio.
Apesar de ter sido bem sucedido em termos de gols marcados, a sua passagem pelo Timão foi um tanto bizarra e não deixou, sequer, saudades.
Outros jogadores contratados para aquela temporada foi Donizete, André Luis, Sangaletti, Fábio Augusto, Rodrigo, além de manter Souza, Ronaldo e Mirandinha, também Célio Silva, Sylvinho e Henrique e, claro, Marcelinho Carioca, o maior ídolo da história do Corinthians, com certeza. Trouxe, também, já com o campeonato em andamento, o zagueiro Antônio Carlos, o famoso Antônio Machadada, o zagueiro mais mal intencionado da história do futebol brasileiro. Ele jogava pra quebrar os adversários de verdade... dava até aflição de ver. Mas, jogava bem, tinha ótima técnica com a bola nos pés e se encaixou bem no time. Henrique, o Henricão, virou líbero. Sylvinho, lateral esquerdo, virou volante, por causa da chegada de André Luís ao Corinthians.
E, assim, Corinthians foi arrasador no Campeonato Paulista. Enfiou goleadas e massacrou os rivais históricos. Meteu 5 a 1 no Palmeiras, 3 a 1 no Santos e, em mais um esdrúxulo campeonato da FPF, o Corinthians enfrentou, na fase classificatória, duas vezes Palmeiras e Santos, mas, apenas uma vez o São Paulo. Coisas ridículas que a FPF teimava em inventar.
Donizete em ação em 1997.
Na fase final, um quadrangular sem graça, o Corinthians, com um jogador a menos (Marcelinho foi expulso) venceu o Santos, por 4 a 3, com direito a gol da vitória feito por Gilmar Fubá, revelação da base corintiana e venceu o Palmeiras por 2 a 0.
Na "final", bastava o empate contra o freguês São Paulo para sacramentar o título.
E o título veio com o gol do lateral esquerdo e ex-são paulino André Luís.

No Paulistão, tudo à mil maravilhas... mas, após cair diante do Grêmio na Copa do Brasil (o Corinthians insiste em ser desclassificado por este time na Copa do Brasil), o Corinthians fez um Campeonato Brasileiro pavoroso, digno de riscar de sua história e nunca mais aparecer.
Pra começar, por causa de brigas internas entre as estrelas Túlio e Marcelinho Carioca, além da briga entre Túlio e o comandante do time, Nelsinho Baptista, o centroavante pediu ao patrocinador que o tirasse do Corinthians.
Atendendo ao seu pedido, o Banco Excel o mandou para o Vitória, trazendo, em troca, o péssimo centroavante Agnaldo, que fora destaque no Baiano daquele ano.
Marcelinho Carioca foi vendido ao Valencia, da Espanha.
Muitos jogadores contratados de última hora, muita confusão no planejamento da diretoria, torcida pegando no pé, troca de treinadores (inclusive Joel Santana, que conseguiu perder para o horroroso time do Fluminense daquele ano, com a torcida gritando a lendária frase: "não é mole não, perder do Fluminense já é humilhação!") fizeram do Corinthians um pandemônio no campeonato. O Corinthians, que tinha um ano promissor, terminou lutando para não cair. Culpa da péssima administração Dualib, que se perpetuou no comando do clube, alternando momento de glória e de profunda depressão, como aconteceu dez anos após esse ano de 97. Mas esse é um assunto para outra postagem.
Em 1997, só para se ter ideia de jogadores que atuaram no Brasileirão pelo Corinthians: Renaldo, o já citado Agnaldo, Ednan ainda estava lá, Tiba, Neto (sim, Neto), Fernando Diniz e Marco Aurélio.
Corinthians Campeão Paulista 1997.
Pro final do campeonato, foram contratados Rincon e Edilson, para ajudar o Corinthians a escapar do rebaixamento. E conseguiram. E continuaram no Corinthians no ano seguinte, se tornando lendas na memória da torcida corintiana.
Ao final do desastroso ano de 1997, Donizete forçou a sua saída do time, indo parar no Vasco da Gama, campeão brasileiro naquele ano.
Aliás, no confronto entre Corinthians e Vasco pelo Brasileirão 97, deu Corinthians, 2 a 1, com gol do próprio Pantera Negra. Com essa atitude, Donizete mal é lembrado pela torcida corintiana. Outro que poderia ter sido absolutamente histórico num clube, mas que deixou tudo pra trás pelo dinheiro e outras coisinhas mais que não vale a pena levantar aqui.

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