sexta-feira, 17 de novembro de 2017

TUPÃZINHO TITULAR EM 1990

Exato momento do gol do título de 1990.
Estava eu assistindo ao programa Fox Sports Radio, na Fox Sports, quando começaram a questionar qual time do Corinthians era melhor: o campeão brasileiro de 1990 ou o time de 2017.
No meio da discussão, começaram a comparar jogador por jogador, mesmo sem considerar os 27 anos de diferença entre um título e outro. Passados quase 30 anos entre os dois títulos, é difícil dizer quem era melhor do que quem.
Mas, o que me chamou atenção não foi a conversa em si. Eu até gosto de fazer esse tipo de comparação, pois a gente começa a relembrar fatos, jogos e jogadores, relembra o esquema tático usado e tudo o que envolvia os elencos na época. Mas o que me chamou a atenção foi a maneira em que jornalistas consagrados e de tantos anos de cadeira, simplesmente não lembravam de como jogava o Corinthians campeão do Brasileirão de 1990. Não estou dizendo que era pra saber ou que o jornalista precisa ser uma enciclopédia, mas, eu digo que, se você não sabe, não afirme nada.
Eles afirmavam, categoricamente, que Tupãzinho era reserva naquela equipe.

Então, aqui no blog, eu vou fazer um pequeno raio-x naquele maravilhoso time campeão do Brasileirão de 1990, com todos os méritos.
Campeão Brasileiro de 1990.

Pra começar, o time titular, considerado o time ideal pelo técnico Nelsinho Baptista, foi exatamente o time que entrou pra jogar a finalíssima contra o São Paulo. Vale lembrar que Nelsinho, técnico que veio do Novorizontino, vice-campeão paulista daquele mesmo ano, assumiu o Corinthians na terceira rodada do campeonato. O técnico que começou no cargo era o desconhecido Zé Maria. E, nesse jogo, contra o Vitória, válido pela terceira rodada do primeiro turno de mais uma esdrúxula forma de disputa do Brasileirão, o Corinthians interrompeu a sequência de duas derrotas seguidas (nas duas primeiras rodadas, o Corinthians era 100% de negatividade no campeonato), retomando uma certa confiança. Confiança que era essencial, afinal, já na quarta rodada jogaria (e venceria) o rival Palmeiras.

Ao longo do campeonato, o time titular se firmou dessa forma:
01-Ronaldo; 02-Giba, 03-Marcelo, 04-Guinei e 06-Jacenir; 05-Márcio Bittencourt, 08-Wlison Mano e 11-Mauro; 07-Fabinho; 09-Tupãzinho; 10-Neto.

Este era o time e como se desenhava a escalação.

Nelsinho Baptista fez duas grandes e importantíssimas mudanças no time.
A primeira, essencial, foi liberar o meia Neto de qualquer que fosse a marcação ao adversário. Neto não marcava e não voltava para ajudar. Com isso, Fabinho e Tupãzinho voltavam para recompor o meio de campo, fazendo o primeiro combate.
Quando Neto desfalcava o time, por cartão ou por servir a seleção brasileira, Nelsinho entrava com os reservas Ezequiel ou Jairo e liberava Mauro para atacar.
A segunda mudança tem a ver com o Mauro, ponta esquerda de origem, mas que foi recuado para o meio, para compor a linha de volantes ao lado de Márcio (mais centralizado, à frente da zaga) e de Wilson Mano (mais à direita).
Nelsinho imaginou um 4-3-2-1, com Neto adiantado, mas não como um centroavante e, sim, como um meia clássico, camisa 10 em sua forma bruta, aproveitando o talento deste que era o principal jogador brasileiro naquele momento.
Mauro comemora o gol de Tupãzinho na final.
E deu certo. Deu muito certo. Neto arrebentou no campeonato.

Jogadores que entravam no time, mas eram reservas, além de Ezequiel e Jairo, entravam também Paulo Sergio e o jovem Dinei, que apareceu muito bem. Ambos, pratas da casa.

Os outros jogadores que compunham o elenco eram, praticamente, todos jogadores da base corintiana:
Dagoberto (goleiro), Marcos Roberto (A), Dama (Z), Valmir (A) e Gérson (LE).
Foram contratados Ângelo (A), Antonio Carlos (PE) e Jairo (V).

Destes, quem era realmente aproveitado por questões táticas, além de Ezequiel e Paulo Sergio, entrava, também, Dinei, Antônio Carlos e Ângelo. Antônio Carlos chegou a começar como titular com a chegada de Nelsinho Baptista, mas, perdeu a vaga para que o treinador pudesse executar o desenho tático que estava imaginando.
Dinei e Antônio Carlos até gol marcaram. Dinei, contra o Santos e Antônio Carlos contra o Fluminense, ambos no Pacaembu.
A participação de Ângelo ficou restrita em poucos minutos em campo, porém, lembrada até hoje pelo mágico jogo contra o Atlético Mineiro, válido pelas quartas de final. Nelsinho Baptista iria colocá-lo no lugar do Neto, pouco antes do camisa 10 anotar o primeiro dos dois gols que virou a partida e fez com que o Corinthians jogasse pelo empate em Belo Horizonte, no jogo de volta.
Neto marcou o gol de empate enquanto Ângelo assinava a súmula do jogo. Nelsinho, então, desistiu da substituição, entendendo ser um momento bom do craque no jogo. E o meia anotou o segundo (e quase o terceiro), virando, assim, a partida. Uma das partidas mais emocionantes da história do Corinthians.

Destes jogadores, o lateral Giba e o volante Jairo, infelizmente, já não estão mais entre nós.

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