Pronto. O Corinthians estava em estado de graça. Campeão da Copa do Brasil, lavou a alma. Mas, no final de semana seguinte, já tinha jogo contra a freguesia santista pra encarar.
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| Ronaldo: segurança no nosso gol. |
Era o segundo jogo válido pela segunda fase do Paulistão 95, a fase semifinal do campeonato, que dividiu em dois grupos os sete primeiros classificados da primeira fase, mais o campeão da séria A2, mantendo, assim, a esdrúxula fórmula de disputa que salvou o São Paulo do rebaixamento em 1990. A velha e boa virada de mesa.
Corinthians e Santos se enfrentaram em Ribeirão Preto, no Estádio Santa Cruz, campo do time local, o Botafogo. Mesmo cansado e de ressaca, o Corinthians jogou muito melhor que o seu adversário, mas não conseguiu se safar do empate em 2 a 2.
Neste jogo, Viola, que vivia sono profundo em 1995, marcou o seu último gol com a camisa do Corinthians.
O Timão jogou muito. Pra se ter uma idéia, o goleiro Edinho foi o melhor jogador em campo. Marcelinho abriu o placar e Viola marcou o segundo. O Santos empatou as duas vezes.
A Portuguesa havia ganhado os seus dois primeiros jogos. Estava disparado na liderança do grupo, pois ainda contava com um ponto extra, pela melhor campanha na primeira fase.
O jogo seguinte, Corinthians X Portuguesa.
Uma semana livre foi o suficiente para o Corinthians recarregar a sua bateria. Colocou a
cabeça no lugar e partiu, no sábado, para enfrentar a Portuguesa no Pacaembu.
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| Eduardo Amorim: importantíssimo no time de 95. |
O jogo foi franco, aberto, com chances reais para os dois lados. Mas, o Corinthians tinha um diferencial: Marcelinho Carioca. E, com uma enfiada de bola mágica do Camisa 7 do Timão, o lateral Vítor, titular no jogo, entrou como um facão na defesa adversária, dominou a bola e, num curto espaço, limpou o goleiro e já bateu para o fundo das redes.
1 a 0 foi o suficiente para o Corinthians não deixar a Portuguesa se desgarrar do restante. Agora, os dois somavam 7 pontos na liderança do grupo. A Portuguesa ainda tinha a vantagem da igualdade dos pontos. O Corinthians precisava ultrapassar o adversário na pontuação para se classificar.
No domingo seguinte, a Portuguesa vence o Santos mais uma vez. O Corinthians, por sua vez, bate o União São João, agora, no Pacaembu. Um treino de luxo para o Timão.
O Corinthians jogava tranquilo. Havia tirado um peso das costas. Eduardo Amorim armava muito bem a equipe, que entendia os pedidos do técnico.
Então, no sábado seguinte, o jogo do campeonato. Aquele que daria a moral ao vencedor.
| Golaço de Bernardo contra a Portuguesa: o mais importante de sua carreira. |
E o Corinthians foi Corinthians, mais uma vez. E a sua torcida fez a parte dela. O Pacaembu se transformou num caldeirão novamente. A Fiel lotou, ou melhor, abarrotou o estádio e não parou um minuto. Com o Corinthians, o jogo só acaba quando termina, não é verdade? Num jogo muito equilibrado, Marcelinho Carioca cobra uma falta, aos 43 minutos do segundo tempo, levantando a bola na área e achando a cabeça de Bernardo, que subiu mais do que todos para testar no chão e, dali, para o fundo do gol do goleiro Paulo Cesar.
Pacaembu em êxtase. Só o Corinthians pra viver momentos assim.
Mas, faltava um jogo ainda. E era contra o Santos, no domingo seguinte.
Marcado para Limeira, o Corinthians atropelou o time santista. O Timão até levou dois gols, mas, nada como os quatro que marcou no rival.
Marques jogou muita bola. Marcelinho arrebentou com o jogo. E todo o time muito bem. Menos Viola, que voltou a dormir.
Com a vitória, o Corinthians não dependia de mais ninguém. Nem tomou conhecimento com o outro jogo, que envolvia a Portuguesa.
O Corinthians conquistou 16 pontos e foi o líder do Grupo 2. Foi para a final, disputar o título contra o Palmeiras, algoz do Timão em campo e na caneta, nos últimos anos.
Agora, tudo estava nas mãos deles. Ou melhor, nos pés.
(continua...)


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